O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Luís Roberto Barroso, defendeu o uso das urnas eletrônicas em relação ao voto de papel. No Brasil, as urnas existem desde 1996 e, desde então, nunca se documentou alguma fraude relacionada ao uso delas nas eleições. “Nesses urnas foram reeleitos Fernando Henrique Cardoso, Lula e Dilma Rousseff e foi eleito Jair Bolsonaro. Acredito que ninguém acha que isso não correspondeu à manifestação popular, até porque correspondeu com o resultado das pesquisas”, lembrou. Barroso destacou que as fraudes aconteciam quando o voto era de papel e, apesar de confiar muito no sistema, não descarta a possibilidade de investigar possíveis fraudes mediante provas.

“Não tenho paixão por urnas eletrônicas, mas por eleições limpas. No dia que alguém trouxer um fato relevante, nós vamos apurar. Nunca aconteceu. Portanto, não há motivos para contestação de eleições no Brasil”, afirmou. Ele afirmou, inclusive, estar “um passo a frente” na tecnologia e adiantou que são estudadas maneiras mais baratas — porém, ainda seguras — de realizar os próximos pleitos. “Urnas sã confiáveis, mas custam caro. Cerca de R$ 700 milhões a cada dois anos. Fizemos uma chamada pública e 31 empresas vão apresentar um novo modelo de eleição digital. Depois, vou me reunir com os ministros Edson Fachin e Alexandre de Moraes, que serão os próximos presidentes do TSE, e ver se tem alguma coisa melhor. Na vida, temos que andar para frente.”

Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, o também ministro do STF criticou o que chamou de “maus perdedores” e evitou falar diretamente da situação dos Estados Unidos. “Mau perdedor existe em qualquer lugar do mundo, estamos sujeitos à isso. Acho que lá, assim como aqui no Brasil, o sistema está preparado para superar esses comportamentos de resignação com o resultado das urnas”, avaliou.

Porém, ele usou o país como exemplo de que o retorno ao voto de papel é um retrocesso. “Veja nos EUA, uma democracia que existe desde 1787. E eles estão tendo problemas de recontagem no papel por contestação de um resultado que o mundo todo reconhece. Ter papel, no Brasil, significa que o perdedor vai buscar inconsistência e judicializar o processo. Precisamos copiar as coisas boas dos americanos, não as ruins. Ter papel é abri espaço para pedir uma contestação que não se justifica mais”, disse. Ele ainda acrescentou que as urnas eletrônicas são completamente auditáveis.

Guerra contra fake news

Luís Roberto Barroso declarou que, pelo menos, a guerra contra as notícias falsas está quase ganha — mas prefere cantar vitória apenas no domingo (15). Para ele, as fake news tiveram um papel bastante reduzido nessa eleição. O presidente do TSE lembrou que órgão fez parceira com todas as redes sociais e agências de notícia para minimizar o máximo possível de disparos em massa. “Temos exemplos passados de mau uso das redes, como no Brexit e nas eleições dos EUA de 2016. Elas tinham uma postura de ser apenas uma via usada e que não deveriam interferir.” Segundo Barroso isso mudou e, apenas nessas eleições municipais, o WhatsApp derrubou centenas de contas que promoviam o impulsionamento ilegal de mensagens.