Guerra Fria tecnológica. Foi assim que o embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, classificou o programa Clean Network, ou Rede Limpa em português, criado pelos Estados Unidos. A iniciativa lançada pelo presidente Donald Trump tem como objetivo convencer países a banir das redes de telecomunicações fornecedores não confiáveis para o fornecimento de sistemas de 5 G. Entre os fornecedores está a chinesa Huawei, que o governo norte-americano acusa de permitir brechas nas redes para espionagem e controle do governo chinês. De acordo com o embaixador Wanming, os ataques feitos pelos Estados Unidos são caluniosos e têm como objetivo manter o monopólio do país na área da tecnologia. “A chamada rede limpa pregada pelos Estados Unidos é sinônimo de guerra fria tecnológica. Essencialmente trata-se de rede suja e com viés ideológico”, disse.

Na terça-feira, o governo do presidente Jair Bolsonaro declarou apoio à iniciativa Rede Limpa em uma cerimônia no Itamaraty. Um leilão do 5G no país está agendado para o ano que vem. Questionado sobre a atitude do Brasil, o embaixador chinês, Yang Wanming, afirmou esperar que o governo brasileiro não ceda à pressão dos Estados Unidos. “Esperamos que o Brasil saiba tomar decisões racionais e autônomas, levando em consideração interesses nacionais.” Yang Wanming também comemorou a retomada dos testes da vacina chinesa CoronaVac no Brasil, autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O embaixador afirmou que o Brasil é um parceiro prioritário no fornecimento do imunizante. “Quando as vacinas chinesas estiverem liberadas para uso clínico, vamos assumir compromisso de torná-las um bem público global”, afirmou. O embaixador chinês completou dizendo que o Brasil é um país de parceria estratégica e de longo prazo.

*Com informações da repórter Nicole Fusco