Indicador aumentou seguidamente desde 2016. Mulheres e idosos são os mais afetados. Dados do IBGE demonstram que quanto maior o tempo de espera na fila do desemprego, maior a dificuldade em conseguir recolocação
Sine-CG/Divulgação
A lenta recuperação do mercado de trabalho tem reflexo no tempo de procura por emprego. Dados divulgados nesta quinta-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) referentes a 2019 mostram que, apesar da ligeira queda no desemprego, bateu recorde a proporção de pessoas que buscavam por nova oportunidade de trabalho há pelo menos dois anos.
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Naquele ano, a taxa de desemprego no Brasil ficou em 11,7%, e 27,5% dos desempregados procuravam emprego há pelo menos dois anos – maior proporção da série histórica iniciada em 2012.
Um ano antes, a taxa de desemprego era de 12% e aqueles que buscavam por recolocação no mercado de trabalho há pelo menos dois anos representavam 26,8% do total de desempregados.
Lenta recuperação no mercado de trabalho reflete em maior tempo de espera por nova oportunidade de emprego.
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Essa proporção aumentou desde 2016. Naquele ano, 20,7% dos desempregados aguardavam há mais de dois anos por nova oportunidade. Em 2017, quando a taxa de desemprego bateu recorde, de 12,5%, a proporção de desempregados há pelo menos dois anos subiu para 23,5%.
Já a proporção de desempregados que buscavam novo oportunidade há pelo menos um ano, mas há menos de dois, diminuiu consecutivamente desde 2016 – era de 18,9% naquele ano e chegou a 15% em 2019.
Também veio diminuindo a proporção de desempregados na fila por nova oportunidade há mais de um mês, mas há menos de um ano. Historicamente, é nessa faixa de tempo que se encontra a maior parte dos desempregados no país. Em 2016, eles somavam 45,6%, chegando a 38,3% em 2019, ligeiramente acima do observado em 2018, que era de 38,1%.
Isso sugere que quanto maior o tempo de espera, maior a dificuldade em conseguir uma recolocação no mercado.
Quando a busca por emprego supera um ano, é classificada pelo IBGE como desocupação de longo prazo. Só é considerado desempregado aquele trabalhador que, sem ocupação no mercado de trabalho realiza busca ativa por nova oportunidade de emprego.
O IBGE destacou que, entre os países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil está entre as nações com maiores incidências do desemprego há pelo menos um ano, atrás da Grécia, Espanha e Itália.
“A OCDE e a OIT alertam para os impactos da desocupação de longo prazo sobre o bem-estar emocional e material dos indivíduos e suas famílias”, enfatizou o IBGE.
Mulheres e idosos são os mais afetados
Ao analisar a desocupação de longo prazo por gênero, o IBGE observou que as mulheres são mais afetadas que os homens. Em 2019, dentre as mulheres desempregadas, 31,3% estavam nessa condição há pelo menos dois anos e outras 16,3% há pelo menos um ano. Entre os homens desempregados, essas proporções foram, respectivamente, de 23% e 13,5%.
Segundo o IBGE, esses dados ratificam a maior dificuldade que as mulheres têm para encontrar ocupação no mercado de trabalho.
Mulheres são mais afetadas pela desocupação de longo prazo que os homens, segundo dados do IBGE.
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Já na análise por grupos de idade, o IBGE apontou que, embora a taxa de desemprego seja maior entre os jovens, são os idosos que levam mais tempo para encontrar uma nova ocupação.
Em 2019, enquanto 30,1% dos desempregados de 14 a 29 anos de idade estavam sem trabalhar e procurando trabalho há pelo menos um ano, 34,1% dos desempregados com 60 anos de idade tinham o mesmo tempo de espera por recolocação. Os que buscavam emprego há pelo menos um ano, mas há menos de dois, somavam 16,7% entre os mais jovens e 15,9% entre os idosos.
Idosos são mais afetados pela desocupação de longo prazo que os mais jovens, segundo o IBGE
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O IBGE apontou que, segundo a Organização Internacional do trabalho (OIT), entre as hipóteses que poderiam explicar a maior dificuldade dos idosos em sair da fila do desemprego estão “a incompatibilidade entre as habilidades desses indivíduos e aquelas exigidas pelo mercado de trabalho, a falta de vagas para seu nível de experiência e qualificações, e a relutância de empregadores em contratarem pessoas idosas”.
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