Após a pesquisa Ibope, divulgada na segunda-feira, 9, mostrar Guilherme Boulos, candidato do PSOL à Prefeitura de São Paulo, numericamente na segunda colocação pela primeira vez desde o início da campanha, foi aventada, nos bastidores, a possibilidade de o candidato do PT, Jilmar Tatto, declarar apoio ao líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). O gesto é visto por uma ala petista como uma forma de garantir a presença de uma candidatura do campo progressista no segundo turno, a fim de competir contra o fenômeno do “Bolsodoria” – na capital paulista, o presidente Jair Bolsonaro apoia a candidatura de Celso Russomanno (Republicanos), enquanto o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), é um dos principais aliados do prefeito Bruno Covas, que tenta a reeleição. De acordo com o levantamento feito pelo instituto, Covas lidera a corrida com 32%, seguido por Boulos (13%), Russomanno (12%) e Márcio França, do PSB, com 10% – como a margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos, há um empate técnico entre os três. Secretário de Transportes municipal nas gestões de Marta Suplicy e Fernando Haddad, Tatto tem 6% das intenções de voto. Apesar do desempenho até aqui, o candidato a vice-prefeito na chapa do PT, deputado federal Carlos Zarattini refuta a hipótese de apoio a Boulos no primeiro turno, e afirma que o partido seguirá defendendo o nome de seu correligionário.

“Temos muitos votos nas periferias que não estão sendo captados pelas pesquisas. Nós vamos até o fim. Não tem essa de retirar candidatura, não. O PT vai disputar a eleição com Jilmar Tatto”, disse Zarattini em entrevista à Jovem Pan. Questionado sobre a possibilidade de Tatto não desistir da candidatura, uma vez que não é mais possível retirar o nome da urna, mas recomendar votos no postulante do PSOL, o deputado federal afirmou que esta alternativa é “totalmente descartada”. “Vamos continuar pedindo voto para Jilmar Tatto. É número 13”, acrescentou. Zarattini citou os 29% de eleitores que, na pesquisa espontânea feita pelo Ibope, se dizem indecisos, para reforçar a necessidade do partido “seguir trabalhando forte” para tentar levar a chapa ao segundo turno. Desde 1988, quando Erundina, então filiada ao PT, venceu Maluf e se tornou a primeira prefeita mulher de São Paulo, o partido sempre ficou nas duas primeiras colocações nas eleições municipais – mesmo em 2016, quando João Doria (PSDB) venceu o pleito em primeiro turno, Haddad ficou na segunda posição.

Na noite desta terça-feira, 11, a presidente nacional do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann (PR), e o presidente do PT em São Paulo, Luiz Marinho, se reuniram com Jilmar Tatto para tratar do desempenho da sigla na capital. Em seu perfil no Twitter, Gleisi disse que “a campanha segue firme nesta reta final”.