A Chapa de oposição da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo conseguiu liminar para suspender Assembleia Geral que seria realizada nesta terça-feira, 10, alegando ter sido privada do conteúdo que seria discutido na reunião. A convocação foi feita para a votação do balanço do ano de 2019. Na decisão, a juíza Priscilla Bittar Neves Netto destacou que: “a restrição ao amplo acesso aos documentos que serão votados pelos associados, inviabiliza também o exercício do direito do associado de tomar parte nas discussões e deliberação da Assembleia Geral”. Um dos membros que ajuizaram a ação, o doutor Carlos Alberto Herrerias de Campos indica que a provedoria não disponibilizou os dados. “Nós não recebemos previamente esse balanço. Procuramos na provedoria da Santa Casa, disseram que o balanço estava fixado, entramos na sala e apenas seis folhas estavam afixadas. Nós não pudemos fazer cópia nenhuma e nem receber uma cópia do balanço para estudo prévio e para podermos analisar uma coisa tão importante.”

O professor da Santa Casa e ex-coordenador do serviço de cirurgia vascular, Walter Karakhanian, diz que enquanto os médicos da linha de frente tiveram que baixar seus vencimentos, apenas cinco funcionários do setor administrativo respondiam por mais de R$ 2,32 milhões por ano do orçamento, e os salários, segundo ele, exorbitantes chegavam até R$ 120 mil por mês. “O superintendente foi contratado com um salário de R$ 90 mil. Na época, o médico ganha R$ 5,6 mil Um belo dia ele chamou os médicos e falou: olha, gente, a Santa Casa está com dificuldade, vamos diminuir um pouquinho de cada um. Fizemos isso, diminuímos o nosso salário e dele foi de R$ 90 mil para R$ 120 mil.”

Os oposicionistas reclamam que não há transparência da administração e apontam que os atendimento têm diminuído, especialmente os de tratamento de alta complexidade. O candidato a provedor da Santa Casa, Luiz Fernando Nogueira de Lima diz que é preciso restabelecer o serviço. “Isso é  alma da Santa Casa, isso precisa ser preservado. E a nossa preocupação é fazer com que a Santa Casa aumente o número de atendimentos com melhorias de qualidade e o que está acontecendo é exatamente o contrário. Um hospital onde nós tínhamos 3,5 milhões de atendimento, hoje caiu pela metade ou mais”, afirma. A instituição centenária está em meio ao período eleitoral, às vésperas do pleito previsto para o dia 25 de novembro, mas que agora pode não acontecer nesta data se não houver a aprovação das contas.

*Com informações do repórter Daniel Lian