Advogado e economista de formação, Bruno Covas, de 40 anos, é o candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo. Filiado ao partido desde os 18 anos, é neto do ex-governador de São Paulo, Mário Covas, com quem morou durante sua adolescência. Eleito em 2016 como vice-prefeito, Covas assumiu o Executivo municipal em abril de 2018, quando o cabeça da chapa, João Doria (PSDB), deixou o cargo para disputar as eleições ao governo do estado. Este ano, a chapa do tucano é composta pelo vereador de segundo mandato Ricardo Nunes (MDB), da chamada “bancada da Bíblia” da Câmara Municipal de São Paulo. O neto do ex-governador conta, também, com o apoio de uma coligação de dez partidos (DEM, Podemos, MDB, PSC, Progressistas, PL, PROS, Cidadania, PTC, PV), o que lhe rende o maior tempo de propaganda eleitoral, com 3 minutos e 29 segundos.

Antes de chegar à prefeitura da maior cidade do país, Bruno Covas foi deputado estadual entre fevereiro de 2007 a dezembro de 2010, secretário estadual do Meio Ambiente, entre janeiro de 2011 e abril de 2014, e deputado federal de fevereiro de 2015 a janeiro de 2017. Reservadamente, aliados de Covas admitem que a aliança formada pelo PSDB com os partidos de centro que integram sua coligação pode representar um primeiro passo pensando na eleição presidencial de 2022 – João Doria é um presidenciável e rival político de Jair Bolsonaro. Publicamente, porém, Covas evita nacionalizar a disputa e afirma que o desempenho nas pesquisas de intenção de voto é positivo por tratar de temas do interesse da cidade. “Esta tem sido a estratégia desde o início. A população quer saber de remédio, vaga em creche, geração de emprego. É isso que surte efeito. A cidade não quer saber de terceiro turno da eleição presidencial de 2018 ou antecipação de 2022. O resultado recebemos com alegria e humildade, mas com a consciência de que a reta final é decisiva, pois é nesse período em que a população decide seu voto”, disse em entrevista à Jovem Pan.

Desde outubro de 2019, Bruno Covas luta contra um câncer na cárdia, região entre o esôfago e o estômago – a doença foi descoberta após o prefeito ser internado para um tratamento na pele. Recentemente, um dos adversários do prefeito, o deputado federal Celso Russomanno (Republicanos), colocou em xeque o estado de saúde do tucano e disse que, se reeleito, ele poderia não terminar o seu mandato. “Desde o início, tenho sido 100% transparente. Não escondi de ninguém o meu diagnóstico, falo abertamente sobre a quimioterapia, a imunoterapia. Dois dos três tumores foram combatidos com quimioterapia e o último exame que fiz, às vésperas da convenção, mostrou que o terceiro tumor está regredindo com a imunoterapia. Os médicos estão animados, fui liberado para trabalhar. É claro que vou tomar tiro, porrada e bomba. Mas, mais do que isso, a frase de Russomanno é um desrespeito a todas as pessoas que passam por um tratamento oncológico. Só posso lamentar e repudiar”, afirmou.