Atual prefeito de São Paulo e candidato à reeleição, o tucano Bruno Covas (PSDB) afirma que escolher um carro-chefe para seu eventual novo mandato “é como pedir para o pai escolher qual filho gosta mais”. Em entrevista à Jovem Pan, Covas, que lidera as pesquisas de intenção de voto no primeiro turno e é apontado como vencedor no segundo turno em eventuais confrontos contra o deputado federal Celso Russomanno (Republicanos) e Guilherme Boulos (PSOL), diz que sua gestão terá três pilares fundamentais: educação, saúde e geração de emprego e renda. “Na Educação, por causa do tempo que as escolas ficaram fechadas, temos a missão de recuperar o conteúdo pedagógico, acompanhar de perto os alunos. Na saúde, reduzir as filas de cirurgias, consultas e exames seletivos que foram suspensos por causa da pandemia, dar assistência para as pessoas, cuidar da saúde mental. E, claro, geração de emprego e renda, porque o coronavírus trouxe uma crise econômica e social gigante. Não apenas São Paulo, mas o Brasil e o mundo terão que enfrentar esse desafio”, disse.

Nas últimas semanas, as pesquisas mostram a ascensão de Covas e a desidratação de Celso Russomanno, apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro, na corrida pela Prefeitura de São Paulo. Para o prefeito, a melhora no desempenho deve-se ao fato de a sua campanha tratar, única e exclusivamente, sobre “temas da cidade”. “Esta tem sido a estratégia desde o início. A população quer saber de remédio, vaga em creche, geração de emprego. É isso que surte efeito. A cidade não quer saber de terceiro turno da eleição presidencial de 2018 ou antecipação de 2022. O resultado recebemos com alegria e humildade, mas com a consciência de que a reta final é decisiva, pois é nesse período em que a população decide seu voto”, avalia. Diferentemente de seu aliado, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), Covas faz questão de dizer que a decisão sobre obrigatoriedade da vacinação contra o coronavírus dependerá das recomendações das autoridades de saúde. “Vamos seguir a recomendação da área da saúde. Não se trata da opinião do prefeito, do vereador ou de quem quer que seja. Quem tem que dizer [se a vacina deve ser obrigatória] é a área da saúde. Não podemos atuar como biruta de aeroporto. Há vacinas obrigatórias, outras não. Desde o começo da pandemia, as decisões da prefeitura foram tomadas ouvindo especialistas. Quem determina é a Vigilância Sanitária. E continuará sendo assim”, diz.

Uma das propostas de Bruno Covas é o incentivo ao transporte hidroviário. Para isso, propõe criar o Aquático, sistema de transporte público por barcos nas represas da cidade. O tucano também afirma que irá “mudar a estratégia das gestões petistas de salpicar ciclovias na cidade”. “Em quatro anos, vamos criar mais de 300 quilômetros de ciclovia, mudar a estratégia das gestões petistas de salpicar ciclovias na cidade. É fundamental que haja conectividade, em especial para alimentar o sistema como um todo”. Na quarta-feira, 28, o candidato do Republicanos à Prefeitura, Celso Russomano, disse que Covas, se reeleito, poderá não completar seu mandato. O prefeito de São Paulo luta há mais de um ano contra um câncer na cárdia – região entre o esôfago e o estômago. Questionado pela Jovem Pan, o tucano lamentou o ocorrido e disse que seu adversário é desrespeitoso com todos os que passam por tratamentos oncológicos. “Desde o início, tenho sido 100% transparente. Não escondi de ninguém o meu diagnóstico, falo abertamente sobre a quimioterapia, a imunoterapia. Dois dos três tumores foram combatidos com quimioterapia e o último exame que fiz, às vésperas da convenção, mostrou que o terceiro tumor está regredindo com a imunoterapia. Os médicos estão animados, fui liberado para trabalhar. É claro que vou tomar tiro, porrada e bomba. Mas, mais do que isso, a frase de Russomanno é um desrespeito a todas as pessoas que passam por um tratamento oncológico. Só posso lamentar e repudiar.”

Veja algumas propostas defendidas pelo candidato do PSDB à Prefeitura de SP:

Educação: acompanhamento individualizado e reforço nos contraturnos

A cidade de São Paulo realizará uma prova para avaliar como os alunos da rede municipal absorveram os conteúdos durante as aulas a distância, em meio à pandemia. A avaliação, diz o prefeito, permitirá à Prefeitura ter um mapeamento completo dos conteúdos a serem reforçados e aprimorados em regime de contraturnos. “Temos a estratégia pronta para recuperar o que foi perdido neste período de pandemia. A realização da prova serve para que tenhamos estratégias diferentes para um milhão de alunos. A ideia é aproveitar o turno na escola e continuar o contraturno dentro das casas, com o uso de 465 mil tablets que estamos comprando para os alunos dos ensinos fundamental e médio”, diz. Covas ressalta, porém, que o retorno das atividades curriculares só ocorrerá com o aval da Vigilância Sanitária. “Avaliamos mensalmente a evolução da doença. Estamos no meio de um processo de censo, com a realização do inquérito sorológico, testando todos os alunos e professores. São esses dados que têm pautado todas as decisões. Quando [a Vigilância Sanitária] disser que pode, vamos autorizar a volta. Eu não tenho medo de cara feia, não adianta ser pautado por pressão”, acrescenta.

Emprego e renda: desburocratização e aposta na “economia criativa”

Bruno Covas faz uma defesa enfática da necessidade da Prefeitura de São Paulo enfrentar a burocracia na cidade como forma de tornar o ambiente para negócios mais propício e estimular a geração de emprego e renda. O candidato à reeleição promete investir na ampliação dos cursos de qualificação da mão de obra e na criação de frentes de trabalho. “A Prefeitura reduziu o tempo para obtenção de um alvará de 530 para 77 dias. Lutar contra a burocracia é fundamental. São Paulo não compete apenas com Guarulhos, Osasco ou Campinas. São Paulo compete com o mundo. Temos que focar naquilo que é a cara da cidade: economia criativa, gastronomia, fomento à cultura, eventos. Dar condições para a obtenção de crédito, investir na construção civil, e atuar permanentemente na geração de emprego para o jovem”, diz.

Cracolândia: repressão ao crime e projeto de longo prazo

Bruno Covas defende uma “política horizontal e individualizada” para enfrentar o problema da Cracolândia. “Política horizontal significa dar acolhimento, banho, roupa e alimentação aos dependentes e às pessoas que ali vivem”, resume. “O grande erro, quando se fala em Cracolândia, é achar que é um problema exclusivo de uma ou outra área. Já vencemos esse debate e sabemos que para enfrentar esse problema é necessário existir uma ação integrada nas áreas de segurança pública, direitos humanos, saúde e assistência social. Todos esses setores precisam atuar conjuntamente para superar o desafio”, diz. O prefeito também defende que a Prefeitura atue pelo “desenvolvimento econômico de quem passa pelo tratamento”. “Em outras gestões, você oferecia uma bolsa para que a pessoa realizasse o tratamento. Na prática, isso se tornou o ‘bolsa crack’. Nós substituímos isso por uma bolsa para quem passa pelo tratamento. É importante que haja uma porta de saída da dependência química e o poder público precisa dar condições para o dependente se reinserir no mercado de trabalho”, afirma. O candidato também diz que o trabalho de inteligência da polícia, somada à ação integrada entre Guarda Civil Metropolitana, Polícia Civil e Polícia Militar, são fundamentais para a repressão do crime. “O trabalho deve ser permanente, a longo prazo. A inteligência existe para isso. Se não há droga, não há consumo. As ruas da região não podem ser um laboratório para o crime organizado.”

Transporte público: sistema Aquático e renegociação dos contratos

Uma das propostas do prefeito é a criação do Aquático, sistema de transporte público por barcos nas represas da cidade. “É um sistema que será integrado ao Bilhete Único, começando pela represa Billings, que vai ligar do Cantinho do Céu à Pedreira, reduzindo em 1 hora o tempo que o trabalhador levaria se estivesse no ônibus”. O prefeito afirmou, ainda, que sua gestão renegociou contratos emergenciais de gestões com empresas de ônibus, o que permitirá reorganizar as linhas. O tucano também promete renovar 100% da frota nos próximos quatro anos. “A grande conquista da nossa gestão foi a assinatura dos contratos de concessão, a renegociação dos contratos emergenciais, o que nos permite reorganizar as linhas, renovar a frota, ampliar a quantidade de ruas e avenidas que recebem e receberão ônibus na cidade. Conseguimos, até o momento, renovar 40% da frota. Vamos chegar em metade da frota com wi-fi gratuito dentro dos ônibus. Faremos a renovação de 100% da frota nos próximos quatro anos. O objetivo é tornar o processo mais dinâmico, com menos tempo e mais conforto para o trabalhador se deslocar pela cidade”. O prefeito também afirma que é um erro falar em ampliar a gratuidade no transporte, por exemplo, para desempregados. “Quando falamos em gratuidade, falamos em aumento de subsídio. Isso significa retirar da educação, da saúde, ou de qualquer outro setor. Não há mágica, não adianta achar que a prefeitura é um saco sem fundo. Ampliar gratuidade é retirar recurso de algum setor importante para a dinâmica da cidade”, explica.