O senador Chico Rodrigues (DEM-RR), flagrado pela Polícia Federal (PF) na última semana com mais de R$ 30 mil na cueca, encaminhou ao Senado Federal na manhã desta terça-feira, 20, um pedido de afastamento do cargo. Inicialmente, ele havia solicitado o afastamento por 90 dias, no entanto, ampliou o prazo para 121 dias. A informação foi confirmada à Jovem Pan pela assessoria do senador, que afirmou que a decisão é “irrevogável, irretratável e sem recebimento de salários no período”. Com isso, o primeiro suplente do senador, Pedro Arthur, filho de Chico Rodrigues, deve assumir a cadeira do pai. No requerimento entregue ao Senado, o parlamentar afirma que a licença é “tratar de interesses particulares”.

Na última quinta, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, havia determinado o afastamento do senador por 90 dias e o julgamento do tema no plenário do Supremo seria realizado nesta quarta-feira, 21. Com a licença de 121 dias entregue pelo parlamentar, o STF não tem mais motivo para manter o julgamento da liminar. Pela Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da reforma política de 2017, o prazo mínimo para o suplente assumir a vaga é de 120 dias. Ainda nesta segunda, Chico Rodrigues encaminhou um ofício solicitando sua “saída imediata” do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado. A formação do conselho já foi atualizada no portal do Senado e Rodrigues não consta mais como um dos titulares. Na última sexta-feira, 16, os partidos Cidadania e Rede Sustentabilidade protocolaram uma representação contra Rodrigues no Conselho de Ética. Os trabalhos do colegiado estão suspensos em razão da pandemia do novo coronavírus. O pedido de Chico Rodrigues acontece um dia após o presidente do Conselho de Ética do Senado, Jayme Campos (DEM-MT), sugerir que ele pedisse afastamento do mandato.

Relembre

Na quarta-feira 14, Chico Rodrigues foi flagrado pela PF com R$ 33 mil na cueca. O parlamentar foi alvo de uma operação de busca e apreensão no âmbito de uma investigação que apura desvios de recursos públicos para o combate ao coronavírus em Roraima. O episódio envolvendo o então vice-líder do governo no Senado gerou mal-estar no Palácio do Planalto porque ocorreu no mesmo dia em que o presidente Jair Bolsonaro afirmou que daria “uma voadora no pescoço” de quem cometesse atos de corrupção em sua gestão. Chico Rodrigues foi dispensado do cargo na quinta-feira, 15, em publicação do Diário Oficial da União. No mesmo dia, o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o afastamento do parlamentar por 90 dias.

Nesta segunda, a defesa de Chico Rodrigues divulgou nota afirmando que o dinheiro encontrado pela PF era destinado ao pagamento dos próprios funcionários. Segundo posicionamento assinado pelos advogados Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo Velloso, o parlamentar está “sendo linchado por ter guardado seu próprio dinheiro”. “O dinheiro tem origem particular comprovada e se destinava ao pagamento dos funcionários de empresa da família do senador”, afirma trecho da nota, que pontua, ainda, que os recursos destinados para o combate da Covid-19 em Roraima continuam nas contas do governo “de forma que nem ele, nem ninguém, poderia deter esses recursos”. Os advogados também consideraram a reação de esconder o dinheiro nas roupas íntimas como “impensado” diante de algo considerado por eles como terrorismo policial.