A Rússia nega ter autorizado ataques cibernéticos contra a organização dos Jogos Olímpicos de Tóquio, que acontecerão no ano que vem. A afirmação foi feita pelo porta-voz do governo russo, Dmitry Peskov, durante uma entrevista coletiva. A acusação foi feita nesta segunda-feira (19) pelo Centro Nacional de Cibersegurança do Reino Unido, que afirma que o serviço de inteligência militar russo (GRU) interferiu não apenas nos Jogos Olímpicos de Tóquio como também nos Jogos Olímpicos de Inverno de dois anos atrás, realizados na Coréia do Sul. A ideia é corroborada pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, que no mesmo dia acusou seis agentes do GRU de terem feito ataques cibernéticos durante as eleições presidenciais da França em 2017 e nos já mencionados Jogos de Inverno da Coréia do Sul.

Segundo o Reino Unido, os ciberataques teriam como objetivo sabotar organizadores, prestadores de serviço logísticos e patrocinadores do evento, já que o malware utilizado foi projetado para limpar dados e desativar computadores e redes. Em sua declaração oficial, o órgão afirmou ainda que o GRU “tentou se disfarçar de hackers chineses e norte-coreanos quando mirou a cerimônia de abertura os Jogos Olímpicos de Inverno de 2018″. Essa não seria a primeira vez que a Rússia faz ataques do tipo. Em 2016, hackers russos invadiram um banco de dados da Agência Mundial Antidoping por meio de uma conta criada pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) para os Jogos de Verão do Rio de Janeiro. Na ocasião, o grupo coletou informações sobre atletas americanos, incluindo Simone Biles e Venus Williams.

Nesta terça-feira, o comitê organizador Jogos Olímpicos de Tóquio se pronunciou sobre o assunto afirmando que “vê a segurança cibernética como um aspecto importante para hospedar as competições”. O secretário-chefe do gabinete do Japão, Katsunobu Kato, disse ainda que o país está cooperando com os Estados Unidos e o Reino Unido nessa questão e que não “ignoraria os ataques cibernéticos maliciosos que poderiam abalar as bases da democracia”.

*Com informações da EFE