A partir da próxima sexta-feira (23), o País de Gales vai entrar em um novo lockdown com duração de duas semanas. Escolas, comércio, bares e restaurantes terão que fechar as portas no que está sendo chamado pelo governo de Cardiff como medida corta-fogo. Os galeses têm o menor índice de contágio por Covid-19 entre os britânicos. A medida foi tomada mesmo assim para garantir que os hospitais da região tenham um suspiro agora antecipando a aproximação do inverno. Agora, apenas a Inglaterra — entre os quatro países que formam o Reino Unido — não adotou um segundo lockdown de curta duração.

O governo central decidiu ignorar a recomendação dos cientistas e médicos do próprio gabinete conservador, que pediram a quarentena. A abordagem do primeiro-ministro Boris Johnson tem sido a de deixar a decisão sobre o fechamento nas mãos dos governos regionais. Só que nem todos aderiram ao movimento do conservador, que no fim é também uma tentativa de compartilhar a responsabilidade. A região metropolitana de Manchester se recusou a seguir as sugestões de Westminster para implementar o nível mais alto de alerta por lá.

O prefeito de Manchester, que é do partido trabalhista, está batendo o pé para que Londres destine mais recursos financeiros para a região. Andy Burnham recebeu um ultimato do governo central, que prometeu fazer uma intervenção na cidade se o alerta máximo não for decretado. Pelo menos na Grã Bretanha, a pandemia está cada vez mais politizada com disputas de poder entre os principais partidos. Não chegou ao absurdo do líder da nação recomendar tratamento médico. Mas faz tempo que as decisões deixaram de ser tomadas seguindo a orientação dos profissionais de saúde.

O governo da República da Irlanda, vizinha da Grã Bretanha, confirmou que o país também vai entrar em um segundo lockdown. O comércio não essencial, assim como academias de ginástica e salões de beleza, vão ter que fechar as portas a partir da quarta-feira (19). E também haverá restrição de circulação. As pessoas só poderão ficar a no máximo cinco quilômetros de distância de seus endereços. As medidas serão válidas até pelo menos primeiro de dezembro.