O Departamento de Justiça dos Estados Unidos está processando o Google por manter um monopólio ilegal sobre buscas e anúncios. Esse será provavelmente o embate legal entre o governo norte-americano e uma empresa de tecnologia mais significativo em décadas. Na ação, arquivada em um tribunal federal de Washington D.C. nesta terça-feira (20), a companhia é acusada de utilizar contratos exclusivos para acabar com a concorrência. Entre esses acordos comerciais está o pagamento de bilhões de dólares feito pelo Google à Apple para que o seu mecanismo de busca seja o padrão no iPhone.

As informações são do jornal norte-americano The New York Times, que afirma que o processo pode se estender por anos e desencadear uma série de outros processos antitruste, visto que outras quatro dezenas de jurisdições estão conduzindo investigações paralelas que podem levar a mais queixas contra o controle da empresa sobre a publicidade online. O Google, por sua vez, há muito tempo nega as acusações de monopólio e deve combater as acusações utilizando um time globalizado de advogados, economistas e lobistas.

Em uma coletiva de imprensa, o procurador-geral Jeffrey A. Rosen afirmou que o processo contra o Google é um marco dos esforços do Departamento de Justiça dos Estados Unidos para promover a livre concorrência nos mercados da internet. “O Google é a porta de entrada para a internet e um gigante da publicidade em buscas”, afirmou. No entanto, Rosen sugeriu que este é apenas um ponto de partida na luta contra monopólios em empresas de tecnologia. O procurador-geral também fez questão de pontuar que a ação não está relacionada com as reclamações feitas por Donald Trump no passado. Tanto o presidente dos Estados Unidos quanto outros políticos do partido republicano alegam que as plataformas de tecnologia exercem viés político ao colocarem em prática suas regras. Além disso, pesa o fato de que onze estados, todos com procuradores-gerais republicanos, se juntaram ao governo no processo contra o Google.

Ainda segundo o The New York Times, a ação acontece duas semanas depois dos legisladores democratas do Comitê Judiciário da Câmara terem divulgado um relatório de 449 páginas sobre as “gigantes” da tecnologia. O texto acusa não só o Google como também a Apple, a Amazon e o Facebook de abusarem do seu poder no mercado. Ao longo da dissertação, é mencionado que o Google controla 90% do mercado de buscas online e que, por isso, a empresa se tornou uma peça dominante no mercado de comunicações, comércio e mídia ao longo das últimas duas décadas.