Os Estados Unidos parabenizaram nesta segunda-feira, 19, o candidato do Movimento para o Socialismo (MAS), Luis Arce, pela vitória nas eleições presidenciais da Bolívia de ontem e garantiram que querem trabalhar junto com ele para “promover a prosperidade econômica, os direitos humanos e a liberdade de imprensa” no país. “Parabenizamos o presidente eleito da Bolívia, Luis Arce, e o vice-presidente eleito, David Choquehuanca, e parabenizamos o povo boliviano por ter votado de forma pacífica. Esperamos trabalhar com o governo recém-eleito para promover a prosperidade econômica, os direitos humanos e a liberdade de imprensa”, publicou em sua conta no Twitter o chefe para a América Latina do Departamento de Estado americano, Michael Kozak.

Luis Arce está a ponto de repetir o feito do ex-presidente Evo Morales quando foi eleito pela primeira vez para o cargo, em 2005. No entanto, para isso, é preciso confirmar que o candidato do MAS recebeu mais de 50% dos votos e se obteve 23 pontos de diferença em relação ao segundo colocado, o que as pesquisas indicam que acontecerá. Desde que Evo foi eleito, em 2005, o MAS iniciou uma hegemonia de quase 14 anos na Bolívia, uma liderança que foi interrompida após as eleições de outubro de 2019, anuladas em meio a denúncias de fraudes eleitorais a favor do então presidente, que sempre negou as acusações. O então mandatário deixou o país e, depois de uma passagem pelo México, pediu asilo político à Argentina, denunciando ter sido vítima de um golpe orquestrado pelos Estados Unidos.

A senadora Jeanine Áñez assumiu a presidência interinamente, com a missão de convocar eleições que tiveram que ser adiadas duas vezes devido à pandemia de Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. Na semana passada, o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, prometeu que o governo de Donald Trump trabalharia com o líder que os bolivianos escolhessem de forma “livre e justa”, independentemente das diferenças ideológicas que ele pudesse ter com Washington.

Quando estava no poder, Evo mantinha relações diplomáticas bastante tensas com os Estados Unidos, chegando ao ponto de rompê-las em 2008, ao expulsar a Administração de Fiscalização de Drogas (DEA) e o então embaixador americano, Philip Goldberg, da Bolívia, após acusá-lo de uma suposta conspiração, negada por Washington, que reagiu expulsando o embaixador boliviano Gustavo Guzmán. Depois desse incidente, os dois países mantiveram relações apenas por meio de encarregados negócios, até que, em 2019, o governo interino de Áñez nomeou Walter Óscar Serrate como embaixador da Bolívia nos Estados Unidos.

*Com informações da EFE