O senador Jayme Campos (DEM-MT) afirmou, nesta segunda-feira, 19, que o senador Chico Rodrigues (DEM-RR) deveria pedir licença do cargo para “esclarecer a verdade” sobre o episódio em que foi flagrado pela Polícia Federal (PF) com mais de R$ 30 mil na cueca. A declaração foi dada após um encontro com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), na residência oficial da Casa. “Se eu fosse ele, pediria uma licença de 121 dias para não ter nenhuma dúvida de que ele quer, de fato, esclarecer a verdade. E a verdade, com certeza, será na medida em que este inquérito poderá transformar em processo e ele, o que alega na própria representação, poderá certamente tentar coagir do exercício do mandato alguma pessoa ou outra, quem quer que seja, para que naturalmente não seja retratada a verdade”, disse. Os partidos Cidadania e Rede Sustentabilidade protocolaram uma representação contra Rodrigues no Conselho de Ética na sexta-feira, 16. Os trabalhos do colegiado estão suspensos em razão da pandemia do novo coronavírus.

Na quarta-feira 14, Chico Rodrigues foi flagrado pela PF com R$ 33 mil na cueca. O parlamentar foi alvo de uma operação de busca e apreensão no âmbito de uma investigação que apura desvios de recursos públicos para o combate ao coronavírus em Roraima. O episódio envolvendo o então vice-líder do governo no Senado gerou mal-estar no Palácio do Planalto porque ocorreu no mesmo dia em que o presidente Jair Bolsonaro afirmou que daria “uma voadora no pescoço” de quem cometesse atos de corrupção em sua gestão. “Pegou muito mal”, disse um líder governista à Jovem Pan. Chico Rodrigues foi dispensado do cargo na quinta-feira, 15, em publicação do Diário Oficial da União. No mesmo dia, o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o afastamento do parlamentar por 90 dias – o caso será julgado pelo plenário da Corte na quarta-feira, 21.

Nesta segunda-feira, a defesa de Chico Rodrigues divulgou uma nota, na qual afirma que o dinheiro encontrado pela PF era voltado ao pagamento dos próprios funcionários. Segundo posicionamento assinado pelos advogados Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo Velloso, o parlamentar está “sendo linchado por ter guardado seu próprio dinheiro”. “O dinheiro tem origem particular comprovada e se destinava ao pagamento dos funcionários de empresa da família do senador”, afirma trecho da nota, que pontua, ainda, que os recursos destinados para o combate da Covid-19 em Roraima continuam nas contas do governo “de forma que nem ele, nem ninguém, poderia deter esses recursos”. Os advogados também consideraram a reação de esconder o dinheiro nas roupas íntimas como impensada diante de algo considerado por eles como terrorismo policial.