O presidente Jair Bolsonaro negou, nesta quinta-feira, 15, em transmissão ao vivo nas redes sociais, que o caso do senador Chico Rodrigues (DEM-RR), flagrado pela Polícia Federal na noite desta quarta, 14, com R$ 30 mil dentro da cueca, tenha relação com o seu governo. Bolsonaro criticou a afirmação de que Rodrigues seria o “seu vice-líder” no Senado, e a tentativa de relacionar o seu nome com o do parlamentar. “Estão falando que ele é meu vice-líder. Tenho 28 líderes, esse senador era uma pessoa que gozava do prestígio e do carinho de quase todos, nunca vi ninguém falar nada contra ele, aconteceu isso e lamento. Mas querer vir colar o fato dele ser vice-líder e a corrupção com o governo não tem nada a a ver. Pode acontecer corrupção no meu governo sim, e tomaremos providências, mas esse caso não tem nada a ver com o meu governo”, disse o presidente.

Chico Rodrigues foi destituído da função de representante da gestão federal ainda na manhã de hoje. Bolsonaro voltou a falar que “não tem corrupção no seu governo”, ressaltando que é responsável pelos ministérios, estatais e bancos oficiais. “Não estou dizendo que não tem mais corrupção no Brasil, mas que não tem no meu governo. (…) Minha responsabilidade é fazer com que se aprofunde a  investigação para punir os culpados, mas até o momento zero [corrupção]. Faz parte do meu governo também fiscalizar as estatais, lembram como era, escândalo atrás de escândalo”, afirmou. O presidente, que é investigado por supostas interferências na Polícia Federal, disse que é “impossível” controlar a instituição. “E tem gente que ainda acha que dá para controlar a PF, não dá. Eu considero aquilo uma denúncia caluniosa, de que eu tentei interferir na PF. Vamos esperar passar para ver o que fazer, porque [Sergio Moro] me acusou do nada”, afirmou.

Bolsonaro fez a live ao lado dos ministros da Justiça e Segurança Pública, André Mendonça, e da Controladoria-Geral da União (CGU), Wagner de Campos Rosário. Questionado pelos comentaristas do programa Os Pingos nos Is, da Jovem Pan, Mendonça destacou que a Polícia Federal tem feito uma série de operações junto com a CGU para investigar irregularidades na aplicação de recursos destinados à pandemia da Covid-19, conhecidas como Covidão. No caso do senador Chico Rodrigues, em Roraima, o ministro contou que foi um repasse feito ao governo do Estado, que mandou para a Secretaria de Saúde do Estado, onde aconteceram as irregularidades.