Ambos eram integrantes dos Wazayzar, também conhecidos como “Guardiões da Floresta”, do povo Tenetehara. Segundo informação preliminar, os guardiões foram vítimas de uma emboscada por madeireiros no interior da Terra Indígena Araribóia, no Maranhão. Um madeireiro também pode ter morrido no confronto.

Candidata a vice-presidência da República pelo PSOL em 2018, a líder Sonia Guajajara pediu o fim do genocídio institucionalizado ao comunicar a morte de Paulino pelo Twitter. “Parem de autorizar o derramamento de sangue de nosso povo”, escreveu.

— Sonia Guajajara (@GuajajaraSonia) 2 de novembro de 2019

O site do jornal Le Monde destaca que Paulo era líder do grupo de defesa da Amazônia “Guardiões da Floresta” e que o drama ocorreu em um dos Estados mais afetados pelos incêndios e a exploração madeireira ilegal.

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O Le Monde reproduz um trecho do comunicado divulgado pela organização Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), que indica que o líder indígena foi morto com um tiro na cabeça. “Um outro membro do ‘Guardiões da Selva’, Laércio Guajajara, foi ferido no ataque”, reitera a matéria.

O jornal La Croix publica que o assassinato aconteceu quando Paulo e Laércio se afastaram da localidade indígena de Arariboia para buscar água. Eles foram cercados por ao menos cinco homens armados. “Laércio foi atingido nas costas por uma bala, mas conseguiu fugir”, ressalta a matéria.

O La Croix lembra que confrontos entre madeireiros e indígenas se tornaram frequentes na Amazônia. “Segundo dados do Congresso Indigenista Missionário (Cimi), 160 intrusões de traficantes de madeira ou exploradores ilegais foram recenseados de janeiro a setembro deste ano, uma alta de 44% em relação ao total de 2018”, publica.

O site da France Info afirma que esse tipo de ataque se multiplica desde a chegada ao poder do presidente Jair Bolsonaro, que prometeu diminuir a demarcação de terras indígenas para a exploração delas. “O governo Bolsonaro tem sangue indígena em suas mãos, o aumento da violência nos territórios indígenas é reflexo direto de seu discurso de ódio e medidas contra os povos indígenas do Brasil”, afirma a Apib em comunicado reproduzido pela France Info.

A matéria também indica que a tribo Guajajara formou em 2012 o grupo “Guardiões da Selva”, que patrulha a reserva de Arariboia. “Paulo Paulino tinha 26 anos e fazia parte desta organização formada para defender a floresta amazônica onde vivia”, ressalta.

O ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sergio Moro, afirmou que o homicídio será investigado. “A Polícia Federal irá apurar o assassinato do líder indígena Paulo Paulino Guajajara na terra indígena de Arariboia, no Maranhão. Não pouparemos esforços para levar os responsáveis por este crime grave à Justiça”, publicou em sua conta no Twitter.

— Sergio Moro (@SF_Moro) 2 de novembro de 2019

O pesquisador sênior da Human Rights Watch, César Muñoz, divulgou uma nota em que cobra as autoridades brasileiras uma “investigação completa e independente sobre o ataque”. “É fundamental que as autoridades realizem uma investigação completa e independente sobre o ataque, e haja punição dos responsáveis, além de proteção imediata ao povo Tenetehara”, escreveu.

Veja abaixo a nota na íntegra:

(Com informações da RFI)

 

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