A decisão de pagar pelas notícias que publica em sua nova aba de jornalismo sinaliza uma mudança de atitude do Facebook. Inicialmente só nos Estados Unidos, cerca de 200 produtores de conteúdo, como jornais e redes noticiosas, receberão entre US$ 1 milhão e US$ 3 milhões por ano pelas reportagens usadas pela gigante online. Além disso, a ferramenta vai direcionar o leitor para o site desses parceiros, em vez de mantê-lo dentro da página da rede social.

O Facebook, assim como o Google, insiste em se autodenominar uma empresa de tecnologia, apesar de hoje ser o segundo maior vendedor de anúncios online em todo o mundo. Com uma base de 2,8 bilhões de usuários fixos mensais, o grupo ganha nas duas pontas, ao explorar conteúdo que muitas vezes não produz e por fazer as vezes de agências publicitárias. E isso motiva seguidos processos nos EUA e Europa por práticas anticoncorrenciais – sem falar nos casos de tratamento inadequado de dados pessoais dos usuários e interferência em campanhas políticas, como o caso da Cambridge Analytica.

Com isso, sua receita cresceu 28% somente no terceiro trimestre deste ano, atingindo US$ 17,38 bilhões, superando as expectativas do mercado. Na prática, o Facebook é um gigante de comunicação que, ao não se assumir como tal, tenta evitar a responsabilidade sobre o conteúdo que produz e comercializa.

É preciso que a mudança de comportamento sugerida pela nova aba de notícias se expanda, eliminando esse abismo em relação aos veículos de mídia, e atinja maior abrangência territorial e financeira. Afinal, apenas de olhar o lucro de US$ 6 bilhões da empresa no trimestre percebe-se o quanto ainda há de espaço para o avanço da iniciativa de pagar pelo conteúdo noticioso que os gigantes digitais utilizam em todo o planeta.

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Por Soraya Hissa

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