Na terça-feira, 12 de novembro, um dia antes do início da cúpula dos líderes dos BRICS, Paulo Nogueira Batista Jr. lança em Brasília O Brasil não cabe no quintal de ninguém, livro que tem os BRICS como um dos seus temas centrais. Desde o início do processo, em 2008, e até 2017, Paulo Nogueira Batista Jr. participou da coordenação entre os BRICS e foi um dos fundadores do banco de desenvolvimento criado por ele, com sede em Xangai. O evento acontece no restaurante Cerpe Diem (104 Sul), às 19 horas.

O Brasil não cabe no quintal de ninguém, de Paulo Nogueira Batista Jr., é o relato dos bastidores da passagem de um economista brasileiro por duas instituições internacionais, o FMI (Fundo Monetário Internacional) e o banco de desenvolvimento criado pelos Brics – o grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Durante mais de dez anos no exterior, ele participou da luta pela reforma da arquitetura financeira internacional após a crise de 2008 e enfrentou a resistência de representantes de países ricos. Antes disso, fez parte da equipe que negociou com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e os bancos credores em 1985-1987, durante o governo de José Sarney.

Assim, com estilo leve, em que alterna humor e emoção, ironia e análise, o autor narra embates entre países e mesmo dentro do governo brasileiro em temas como crises econômicas, a reforma das instituições financeiras e a organização da governança global, abordando também o nosso conhecido complexo de vira-lata. O que une essa grande variedade de assuntos é o Brasil e, segundo ele, “uma certa tendência a acreditar que nosso país tem um valor muito especial – ainda que nós, brasileiros, nem sempre estejamos à sua altura”.

O nacionalismo é um elemento sempre presente na obra. Após discutir suas ambivalências e armadilhas, Batista Jr. argumenta que o brasileiro costuma perder de vista a dimensão e o potencial do Brasil – país capaz, como poucos, de atuar com autonomia e desenvoltura no plano internacional. Foi o que o autor vivenciou durante a maior parte do tempo em que trabalhou em Washington, época em que o Brasil era reconhecido, segundo ele, como polo dinâmico e independente num mundo cada vez mais multipolar. E foi o que perdemos, ressalta o autor, “desde a crise política e econômica do final do governo Dilma Rousseff e, mais ainda, com os governos de Michel Temer e agora de Jair Bolsonaro”.

São textos que olham para o futuro, na esperança, fundada na experiência, de que o Brasil possa encontrar o caminho do desenvolvimento – com justiça social, democracia, independência – e de que, nas palavras do autor, “a nossa voz se fará ouvir de novo em todos os cantos do mundo, e mais forte, em defesa de valores humanos que o brasileiro, talvez como ninguém, tem condições de vivenciar e transmitir: a doçura, a versatilidade, a criatividade, a imaginação, a alegria de viver.”

Sobre o autorPaulo Nogueira Batista Jr., economista, foi vice-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento, estabelecido pelos BRICS em Xangai, e diretor-executivo no FMI pelo Brasil e mais dez países. Seu site é www.nogueirabatista.com.br.

Website: http://www.nogueirabatista.com.br

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