Os custos políticos, econômicos e sociais da divulgação de notícias falsas podem ser incalculáveis. Foi o que afirmaram especialistas ouvidos nesta quarta-feira (6) pela CPI Mista que investiga as fake news. Segundo eles, combater essa prática não é uma tarefa simples: reverter uma corrente de boatos envolve, além de grande custo financeiro, a superação de muitas dificuldades técnicas.

A advogada Adriele Brito, representante da Associação das Empresas de Tecnologia da Informação (Assespro), que engloba empresas como o Facebook e o Google, observa que muitas vezes as fake news envolvem conexões internacionais e geram questões judiciais complexas.

“Vários países estão passando pelos mesmos problemas e por isso defendemos a ratificação, pelo Brasil, dos tratados internacionais de trocas de informações”, disse a advogada, lembrando que não há anonimato na circulação de comunicações na internet.

A relatora da CPI mista, deputada Lídice da Mata (PSB-BA), informou que deve incluir no seu relatório final a recomendação para que o governo brasileiro e o Congresso Nacional ratifiquem os acordos internacionais que permitem a troca de informações para verificação de notícias falsas e as respostas judiciais.

Matsuki explicou que a maior parte das notícias falsas tem como características um texto mal escrito, o pedido para que a pessoa compartilhe a informação, originando-se em um vetor — perfil falso e impulsionamento pago — que gera a difusão inicial. O jornalista disse que o maior problema das fakes news é o seu desmentido nunca ser 100% eficaz na resposta à mentira.

“Um desmentido tem 15 mil visualizações, enquanto uma desinformação tem três milhões de visualizações”, lamentou o jornalista.

“O desafio é ter equipe e recursos financeiros para destrinchar uma notícia falsa. Em regra, entramos em contato com o grande divulgador, a fonte original da notícia, para avisá-la que a informação é falsa. E acompanhamos a reação para ver se ocorre um pedido de desculpas.”

Lüdtke narrou a dificuldade que teve recentemente para desmentir uma notícia falsa que usava o vídeo de um avião tanque americano apagando um incêndio na Bolívia para dizer que era um avião israelense ajudando no combate ao fogo na Amazônia brasileira.

“Chegamos a falar com a senhora boliviana que filmou originalmente o incêndio na Bolívia. Ela mostrou que o fogo não era na Amazônia nem o avião era israelense. Também localizamos, nos Estados Unidos, o dono da empresa que alugou o avião, para comprovar que não era israelense. Mas tudo isso envolve custos e, por isso, é importante nos associarmos aos veículos tradicionais de imprensa.”

“Na verdade, modificou-se uma matéria da revista Veja de 2014 que relatava o uso do Porto de Mariel para Cuba vender armas à Coreia do Norte. E ele divulgou uma notícia falsa”, disse Lopes.

Ele afirmou que trabalha há mais de 17 anos com a investigação de fake news. E que existe um padrão muito comum.

“Uma notícia falsa pede para ser repassada, usa o nome de pessoas importantes, é confusa e contraditória, não se sabe a autoria, apela pelo lado emocional e possui o tom alarmista e conspiratório. Não precisa ter todas essas características, mas várias estão presentes.”

Gilmar também mostrou que é comum um site de fake news se hospedar em outro site de fake news. E é notório que vários desses sites ou grupos são mantidos pelos chamados “bots”, programas robôs com a função de divulgar a informação falsa.

Angelo Coronel também informou aos integrantes da comissão que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, deferiu seu pedido nesta terça-feira (5) e a comissão mista poderá funcionar até 2020, completando 180 dias, conforme previsto. Havia a dúvida de que isso não pudesse acontecer, dado o fim da legislatura.

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