Agricultora constr?i casa com milhares de garrafas em São Paulo

Um casal de agricultores construiu uma casa inteira com garrafas de vidro, na zona rural de Itaóca, cidade localizada no interior de São Paulo. Mais de seis mil garrafas foram utilizadas para fazer a estrutura, os móveis e paredes da residência. O que era considerado lixo, virou matéria prima e, após meses de construção, o casal sonha em viver no que chamam de ?casa de litro?.

Após a morte de um dos filhos, a agricultora Ivone Santos Martins entrou em depressão. Na borracharia do marido, que presta serviço para a Prefeitura de Itaóca, ela enxergou uma nova atividade para dedicar seu tempo e afastá-la da dor.

“Eu fui na garagem da Prefeitura e vi garrafas de vidro. Eu perguntei para o funcionário se eu podia pegá-las e fazer uma ?casa de litro?. Eu tive a ideia de misturar o barro e o cimento para colar as garrafas e construir a casa”, conta.

O local escolhido para a construção da inusitada residência foi na chácara da família, localizada no bairro Gurutuba dos Martins, e onde mora a mãe e os irmãos. Como trabalha na plantação, o sonho da agricultora era também morar na zona rural. A falta de dinheiro para comprar material de construção sempre a impediu de erguer a própria residência. Com a nova matéria prima, isso foi possível.

“Eu gastei com cimento. Mão de obra? Sou eu mesma que faço. Eu não tinha condições de comprar tijolos. Para mim, está sendo uma terapia. Eu não fico parada, me sinto grata de estar usando as garrafas que iam para o lixão. Tudo que eu usei na casa é reciclado”, disse.

Ela juntou as garrafas recolhidas durante a coleta de lixo da prefeitura e pediu em lanchonetes e restaurantes da cidade. Ivone começou a construir a casa, com a ajuda dos filhos e marido, em janeiro de 2018. Eles utilizaram pneus e fizeram 12 pilastras de madeira para servir como alicerce da casa. Já as garrafas formaram as paredes da residência.

“Não escolhi marca e nem as cores das garrafas. O barro dá liga, o cimento é misturado como se fosse uma massa. Vou assentando com colher. Faço quatro outro cinco fileiras e paro para secar e não cair. Depois, vou para outra parede. Coloco a boca das garrafas para fora e, quando terminar, vou colocar massinha e cimento. É trabalhoso, mas é gostoso”, explicou a agricultora.

A casa tem 9 metros de comprimento, 8 metros de largura e cerca de 3 metros de altura. Ao todo, o casal já usou mais de 6 mil garrafas. Paredes de garrafas também dividem a casa em cômodos: sala, cozinha, quarto, corredor e banheiro. Ivone conta que os móveis também são feitos com garrafas de vidro. “Tenho que terminar os móveis. Eu já fiz o sofá de litro, uma cama de litro e tem o banheiro. Tudo com garrafa de vidro que você imaginar eu fiz”, brinca.

A notícia sobre a casa de litro já se espalhou pela cidade. Ainda são poucas pessoas, porém, que realmente vão conferir o trabalho da agricultora. “Todo mundo tem curiosidade, mas não deixo ninguém ver. É a minha casa. O pessoal acha diferente, acha que foi muito trabalhoso. Eu não vi em lugar nenhum assim. Mas, sinto que é uma casa normal. A diferença é que, com o frio, ela é fria, e com o calor, ela esquenta. Mas, vou me adaptar”, conta.

A agricultora diz que ainda precisa instalar um poste para levar energia elétrica à residência. Ela não vê a hora de sair do conjunto habitacional, onde mora hoje, e mudar para sua ?casa de litro? com o marido. “Todo dia estou na chácara. A casa está terminada. A hora que tiver energia, eu mudo para lá. Eu não vejo a hora de ir porque eu gosto de lá”, finaliza.

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